Três mulheres com paixões diferentes no futebol, mas com histórias parecidas e inspiradoras. O que a atleticana Andréa Broto, a coxa-branca Rúbia de Lima Rossi e a paranista Daniela de Mello têm em comum? Elas venceram o câncer de mama.

As três driblaram a doença como um jogador dos mais habilidosos dribla um adversário. Mas, diferente de um estádio de futebol, em dias normais, com torcida, o adversário delas é silencioso e só foi vencido por persistência própria. O amor delas por Athletico, Coritiba e Paraná também foi uma distração e um combustível em momentos difíceis.

Neste 19 de outubro, Dia Internacional do Combate ao Câncer de Mama, o UmDois Esportes conta a história de três torcedoras, uma de cada clube da capital, para representar tantas - e tantos - que lutam contra a doença.

Athletico como "escape" em meio a um turbilhão de sentimentos

  • Andréa em La Bombonera em 2019
  • Na Arena da Baixada
  • Com faixa "Campeoníssima", que ganhou das amigas antes mesmo de estar curada

De 2016 para cá, o Athletico só ganhou mais relevância no cenário nacional, com grandes campanhas e título nacionais e internacionais. Foi a partir deste ano, no entanto, que Andréa Broto iniciou sua principal batalha: a luta contra o câncer de mama.

"Em exames periódicos, fui diagnosticada com um 'carcinoma ductal in situ', que é o câncer não invasivo, o primeiro estágio, onde o mesmo ainda não se espalhou por outras áreas da mama. Todas as lesões foram retiradas durante a ressecção segmentar e, como terapia complementar, realizei um mês de radioterapia e cinco anos de terapia hormonal, com o objetivo de reduzir o risco de o câncer retornar", conta.

Atleticana desde pequena e apaixonada pelo time ao extremo, Andréa nunca deixou de frequentar a Arena da Baixada, mesmo nos dias mais difíceis do tratamento. Acompanhar o time do coração em casa ou longe de Curitiba foi, inclusive, uma motivação a mais para ela seguir forte.

"O Athletico foi o meu principal 'escape'. Ir aos jogos sempre foi uma espécie de terapia pra mim. Quando eu pisava na Arena, eu esquecia tudo, todas as dores, preocupações, efeitos colaterais, etc. Era como se eu fizesse um 'descarrego' de energia e voltasse para casa renovada para mais um período de batalha. Não importava o resultado dos jogos, liberar a adrenalina - boa ou ruim - sempre me acalmou. Acho que posso dizer que o Athletico foi parte do meu tratamento", revela.

"Ter essa distração foi fundamental para me dar força, me ajudar a suportar as dúvidas e angústias. Encontrar os amigos, receber carinho, celebrar as vitórias, amargar as derrotas, comemorar os títulos, tudo isso fez parte da minha caminhada diária até o fim do tratamento", celebra Andréa, que, curada em 2021, já voltou a frequentar os jogos do Furacão.

Vitórias na vida e no Couto Pereira

  • No Couto Pereira
  • Rúbia à espera da Lívia
  • Rúbia durante o tratamento contra o câncer de mama

Com todas as turbulências da pandemia da Covid-19, a coxa-branca Rúbia de Lima Rossi, 35 anos, ainda teve de enfrentar mais uma batalha. Em novembro de 2020, enquanto brincava com a filha, encostou o braço na mama direita e sentiu um carocinho. Situação inesperada, mas que a fez imediatamente procurar um médico oncologista. Em janeiro, o diagnóstico confirmado: câncer de mama.

"Foram cinco meses passando por sessões de quimioterapia, inúmeros exames e incontáveis tubos de sangue. Alguns períodos de internações, reações adversas das medicações, o cabelo cai e você já não se reconhece mais ao se olhar no espelho. Mas só sabemos a força que carregamos quando precisamos ser fortes", afirma.

E como se comemora uma vitória do Coritiba, no dia 28 de setembro, a coxa-branca celebrou a notícia tão esperada: estava curada. O momento a levou de volta ao Couto Pereira, mais precisamente no dia 14 de outubro de 2012.

"O dia da notícia da minha cura foi um dos mais marcantes da minha vida. Este dia, me fez lembrar do dia em que a minha mãe foi agraciada com essa mesma notícia, da sua cura. A gente comemorou juntas, em um domingo no Couto, com uma vitória do Coxa por 2 a 1 em cima do Bahia", relembra.

Torcedora do Coritiba por influência da família, Rúbia sempre ia aos jogos com o pai e a mãe. Ao lado do marido, quer passar a paixão para a filha. Em breve, também quer repetir a história que a fez voltar no tempo e celebrar a sua cura com a pequena Lívia no Alto da Glória.

"O Coritiba sempre muito presente na vida da minha família. Agora, quero repetir esse jogo em família com a minha filha, Lívia, para comemorar a minha vitória. E, com certeza, com uma vitória do Coxa. O câncer não pode ser o ponto final da sua história", diz.

Dois cânceres que não desanimaram Daniela

  • Daniela em período de tratamento
  • Daniela e amigas em ação do Paraná
  • Torcedora no estádio em dia de ação na Vila Capanema

Enquanto Paraná fazia campanha regular no Brasileiro de 2005, que o levou à Sul-Americana, a torcedora Daniela de Mello, 45 anos, descobria seu primeiro diagnóstico de câncer de mama ao fazer o autoexame. O diagnóstico após uma série de exames: um carcinoma medular de mama, câncer raro que atinge pessoas jovens.

"Foi um período muito difícil para mim, pois eu era jovem e tinha uma filha com apenas dois anos na época. Passa mil coisas na nossa cabeça. Mas tudo foi rápido e logo comecei o tratamento. Fiz seis sessões de quimioterapia e 36 de radioterapia. Foram seis meses de tratamento", conta a paranista, que disputava sua própria batalha.

Mas uma turbulência mais forte veio em 2014. Apareceu outro câncer, na outra mama, agora um câncer ductal, mais grave que o primeiro. Se o Paraná lutava mais um ano na Série B para retornar à elite, Daniela lutava para vencer mais uma vez a doença.

"Neste, fiquei menos tensa, acredita?! Sabia que estava em ótimas mãos, mas, novamente, foi um período turbulento, é claro. Passar por tudo de novo, queda do cabelo, deixa a gente acabada. Este tratamento foi mais longo, pois tive que passar por duas cirurgias e quimioterapia", relembra.

O Tricolor entra em meio a tudo isso. Com apoio de familiares, amigos e outras paranistas, Daniela passou a acompanhar mais o Paraná. As campanhas promovidas pelo clube, principalmente no Outubro Rosa, a aproximaram ainda mais do mundo do futebol.

"É muito importante termos distrações neste período. Estar conectada ao mundo do esporte, torcendo, gritando, se alegrando, me ajudou. E o Paraná Clube sempre apoiou essa data tão importante para nós que tivemos o câncer e ainda para quem luta contra a doença. O time sempre me deu força e coragem. Normalmente, assisto aos jogos em casa, mas, nas campanhas, sempre estive lá", finaliza.

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