A própria Fifa já enterrou a baboseira do nanoimpedimento "identificado" pelo nosso querido VAR. A entidade – aquela de João Havelange, Joseph Blatter, Jérôme Valcke e dos escândalos de corrupção – projeta para a Copa do Mundo de 2022, no Catar, uma nova "revolução tecnológica": o offside deve ser anotado com o recurso de chips costurados nas camisas dos jogadores.

Se vai funcionar? Não sei. É provável que não e, também, pouco importa. De certo, que já há uma ruma de empresas de origens curiosas e sócios ocultos duelando pela criação da traquitana hitec que, pra variar, vai precisar de milhões de dólares para desenvolvimento e implementação. Enquanto isso, os ingressos mais baratos para uma final de Libertadores são vendidos a esbulhantes R$ 1.100.

É certo também que a figura do "nanoimpedimento" já começa a sair de cena para entrar, enxaguado em glória e erros bizarros, para o anedotário da bola. Vendido, e comprado, como um expediente que revolucionaria a delicada marcação da infração, com precisão absolutamente milimétrica, desnudou-se como recurso tão complexo quanto o telefone do E.T., o Extraterrestre.

Estava na cara, mas não quiseram ver, preferiam embarcar na fantasia da tecnologia, sempre sedutora. De primeira, surgiram evidências, fragorosas, de que sequer haviam câmeras dotadas o suficiente para enquadrar, com a precisão requerida, o balé da movimentação entre o lançador, o atacante e o defensor.

Mas não era só isso. Também não estavam disponíveis, nem estão, ângulos suficientes para espremer todos os centímetros necessários. E, ainda, escândalo completo, toda essa lorota avançada dependia, e ainda depende, veja só, dele: o olho humano. O resultado passa pela percepção do operador do momento do lançamento e, adiante, de qual parte do corpo está avançada.

Ora, ora, ninguém poderia prever que o protocolo do VAR para impedimento desembocaria em equívocos, vacilos, sacanagens e, principalmente, horas e horas desperdiçadas, para desespero do torcedor, na vã tentativa de resolver uma equação sem solução. Tudo para apresentar como "prova" um quadro com linhas aparentemente riscadas no Paint Brush.

Mas, enfim, chegamos. Está morto o nanoimpedimento. Viveu pouco, não deixará saudades. Vem aí, conforme a Fifa, o impedimento "automático", acusado por chips implantados, com todo o respeito, nos atletas. Acredite quem quiser.

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