Nem bem Athletico e Atlético-MG se classificaram para a final da Copa do Brasil e já começou a esculhambação. Em texto publicado pela TNT Sports, e assinado por Vitor Sérgio Rodrigues, a ameaça: "CBF projeta final da Copa do Brasil em jogo único a partir de 2023".

Em linhas gerais, a entidade quer emular o que já se faz na Libertadores da América, na Sul-Americana, competições internacionais que, por sua vez, copiaram o modelo da Liga dos Campeões. Os taradões do soccer business são assim: incansáveis e nada originais.

O Brasileirão já não tem decisão como conhecemos, jogo lá e cá, desde 2003, e tudo bem, por se tratar de um campeonato de pontos corridos. Mudança de paradigma que, justamente, só beneficiou a Copa do Brasil e seu sistema de mata-mata único no país.

E você sabe, claro, que eles vão meter a clássica conversa do match day, dos direitos de transmissão, do evento como uma "experiência", do show do intervalo, dos recordes de renda, uma verdadeira orgia comercial entre cartolas e patrocinadores.

O torcedor? Bem, o torcedor que se dane, ou melhor, que pague. R$ 1.200 num ingresso de Libertadores, R$ 560 numa entrada de Sul-Americana e, quem sabe, um tíquete de uma decisão de Copa do Brasil no futuro por R$ 350 até que seria super acessível, não é mesmo?

Depois da extinção dos sinalizadores, dos foguetes, do papel picado e da bambuzada nas costas, é o fim do estádio como trunfo de uma equipe e seus torcedores. Está morto o mando de campo. Você empurra seu time durante toda a disputa, mas, na decisão, algum head de marketing ou analista de SEO fica com o teu ingresso!

Afinal, no mundo moderno, no soccer business, finais de campeonatos não são para as torcidas dos clubes. Não é jogo para, enfim, a arquibancada fazer a diferença, como costumeiramente faz. É dia para cartolas, patrocinadores e convidados se exibirem no Instagram.

Tudo muito natural. Afinal, quem decide é quem ganha dinheiro com o jogo, com os atletas, com a tradição dos clubes, a vibração e o colorido das torcidas. Já o torcedor, bem, o torcedor só gasta e banca o circo no qual, aparentemente, só lhe sobrará o papel de palhaço.

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