Corre na gloriosa Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, aquela que ganhou fama internacional, não exatamente positiva, como cenário do filme Tropa de Elite. Foi aprovado projeto de lei para mudar o nome do Maracanã, de "Estádio Mário Filho", para "Edson Arantes do Nascimento – Rei Pelé".

Imagino que, diante das excelentes condições em que se encontra o estado, reconhecido como uma espécie de Nova Zelândia da América Latina, o deputado do PT, André Ceciliano, viu essa oportunidade de atuar num tema tão fundamental, ainda mais durante uma catástrofe sanitária.

Antes de qualquer coisa, você sabe qual é a minha opinião. O Maracanã está morto, ao menos o Velho Maraca. O que temos hoje no lugar é uma versão frapuccino do mais clássico campo brasileiro, completamente descaracterizado por obras sem necessidade que fizeram jorrar corrupção.

Portanto, diante de tal quadro, da esculhambação geral ao que o estádio que consagrou o futebol brasileiro foi submetido, casa de Garrincha, Zico, entre centenas de outros craques, uma mesmo que hipotética mudança de nome parece relevante. Em todo o caso, é parte de fenômeno espantoso.

Do desejo de se reescrever a história, de se redesenhar os símbolos, de sublinhar marcas pessoais, mesmo que de forma absolutamente patética, de gerar buzz e capital nas redes. Não é possível conviver com nada, menos ainda com os fantasmas. E o que se muda hoje, muda outra vez amanhã.

No mais, se aponta o óbvio ululante, para usar a expressão já deliciosamente clichê de Nelson Rodrigues, o maior cronista do velho Maracanã. Mario Filho, grande entusiasta, propulsor da obra e irmão de Nelson, não por acaso terminou por emprestar o próprio nome ao gigante de concreto armado.

Por fim, evidentemente que Pelé, para quem toda homenagem relacionada ao esporte é justa, não precisa desse tipo de reconhecimento oportunista. Aliás, já nomeia a principal praça esportiva de Alagoas. Seria ótimo se o camisa 10 declinasse. E o Édson também.

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