Não durou nem 48 horas o autogolpe dos barões da Superliga Europeia. O suficiente, entretanto, para o plano acabar inscrito, com pompa, no museu das ideias mais estúpidas da história do futebol mundial, como o shootout, a torcida única e aquele drible que o Higuita tentou contra Camarões na Copa de 90.

As razões para o apoteótico vexame são ainda insondáveis. Mas há palpites. O clubinho dos principais times europeus teria sido apenas uma gulosa engendração para pressionar a Uefa por mais benefícios? Ou, realmente, a intenção era destruir o futebol como esporte e meter a mão no cofre?

O tempo dirá. De certo, que foi mais um "projeto" gerado naqueles ambientes que congregam líderes pouco conectados com a realidade e, no mais, um séquito de puxas-sacos. E ninguém com coragem e clarividência pra sugerir: "Pessoal, será que não vale repensar? Isso vai dar merda".

Agora está lá, no museu das bizarrias, o "bebê diabo" do futebol. Para ser olhado, com curiosidade mórbida, pela eternidade. Quando bilionários que só distinguem a bola no campo tentaram transformar uma cultura esportiva centenária numa espécie de Torneio Início para ultra-vips.

Mas teve quem gostou, até mesmo quem jamais seria convidado para Superliga alguma. Normal, há quem goste de qualquer coisa, como rock brasileiro dos anos 80, por exemplo. E entre os que exaltaram a iniciativa dos clubes gigantes, há dois tipos: os ingênuos ou os que têm interesses próprios.

Não há outro panorama possível. E nem é preciso mais se debruçar sobre a Superliga Europeia, quando os pais da ideia já saíram correndo, com ou sem vergonha. É óbvio que futebol é também dinheiro, como é evidente que há desequilíbrios diversos nas correlações de forças entre clubes e entidades.

Não será, entretanto, recorrendo ao clássico "se não for como eu quero levo a bola embora" ou, mais precisamente, condenando o aspecto esportivo, no embalo de um suposto investimento bilionário do glorioso banco americano J.P. Morgan, que o cenário vai melhorar.

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