Dizem que todas as torcidas felizes se parecem. A torcida infeliz é infeliz do seu jeito.

A paráfrase é do escritor russo Tolstoi sobre as famílias, mas ela se aplica perfeitamente às torcidas de futebol.

Afinal, torcedor é torcedor, apaixonado por qualquer time e em qualquer cidade: um fã do Mixto Bordô, de Telêmaco Borba, é tão zeloso na sua paixão quanto um do Athletico Paranaense e, como tal, vai ao delírio quando a sua equipe marca um gol e está vencendo uma partida ou acaba de conquistar um título importante.

Ou mesmo que não seja tão importante assim, mas o fato de ser sido campeão já deixa o aficionado arrebatado e pronto para comemorar.

Não existe esse negócio de acreditar que uma torcida gosta mais do seu time do que as demais. Na realidade, o que diferencia tudo é a idolatria da massa por um ou mais jogadores que se destacam dentro de campo.

Aí é que reside o componente do fetiche pelo craque, por aquele elemento que consegue mudar a história de uma partida ou mesmo de um campeonato.

Ídolos sempre existiram no Athletico, mas raros foram aqueles que se eternizaram na memória e no coração dos seus torcedores. Outro dia perdemos Sicupira, certamente o jogador mais importante da década de 1970 a vestir a camisa rubro-negra com amor.

Vieram outros nas décadas posteriores, alguns até com maior destaque pelo fato de terem vencido campeonatos importantes ou marcado gols arrebatadores.

Hoje, o grande nome do Furacão poderia ser o extraordinário goleiro Santos – medalha de ouro como titular da seleção olímpica brasileira; o zagueiro Thiago Heleno, o General; ou o meia Terans, que rapidamente conquistou os corações atleticanos.

Mas é Nikão o craque da hora.

Não só pelo golaço que fez na decisão com o Bragantino, em Montevidéu, mas por tantos outros gols e, sobretudo, pela excelente média de boas atuações, dedicação, disciplina e identidade com o clube.

Diversas vezes campeão paranaense, bicampeão da Copa Sul-Americana e campeão da Copa do Brasil, foram triunfos que tornaram Nikão uma referência.

Desde ontem Cidadão Nikão.

Sim, pois o ídolo foi homenageado pela Câmara Municipal de Curitiba como o mais novo Cidadão Honorário da cidade.

Assim, o mineiro Maycon Vinicius Ferreira da Cruz tornou-se ilustre curitibano.
Dá-lhe Nikão!

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